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18 de mai. de 2011

O que você queria fazer se ninguém pudesse te ver?

O que você queria fazer se ninguém pudesse te ver?

                Um banquete só tem significado para quem tem fome. Os saciados não desejam a proximidade do alimento. A fome é o elemento chave para que possamos desejar e apreciar o banquete. Da mesma forma, o hospital não tem significado para quem está são. Somente os doentes carecem de hospitalização.

                Essa comparação é simples, eu sei. Mas ela nos aproxima de uma verdade ímpar que Jesus fez questão de nos ensinar. Jesus ao preferir os pobres e miseráveis nos deixa desconcertados... “Não é justo”... Uma certeza dura; mas certa: a Eucaristia é o banquete dos miseráveis. Ela é o momento em que Deus se Poe à mesa com as escórias da humanidade, com os últimos, os menos desejados.

                Miseráveis, famintos, prostituídos, doentes, legítimos representantes da fome. Fome de pão, fome de beleza, fome de dignidade, fome de amor, fome de companhia. Corações sufocados pela solidão do mundo, pelo descaso dos favorecidos e pelas arrogâncias dos fortes. A vítima é também protagonista do pecado, um efeito dominó.

                É simples de entender. Pense comigo: uma mãe geralmente tende a cuidar de forma especial do filho que é mais frágil. Concorda comigo? Pois bem, o que é frágil será sempre velado, cuidado e amado.

                É estranho, mas a realidade é assim! Contradição? Talvez não, os contraditórios talvez sejamos nós. Creio que você já tenha formulado as mesmas perguntas que eu, ou estou enganado? Vejamos se ao menos elas se assemelham:

                E se nascêssemos sem pecado? E de Adão e Eva tivessem dito não? Por que o pecado tem que ser pecado? Será que somos condicionados a sempre escolher o mal? É necessário pecar para se aproximar de Deus?

                A verdade é que todos nós sabemos o que é bom e o que nos preenche de verdade, porém há uma força que insiste em nos convencer ao mais fácil, mais saboroso... Será que a serpente ainda ronda nossas vidas?

                Pensando nessa realidade por acaso me deparei com a letra de uma música do Capital Inicial que me ajudou a refletir, vale a pena citar o refrão: “O que você faz quando ninguém te vê fazendo, ou o que você queria fazer se ninguém pudesse te ver”.

                Parece-me que a Teologia abraça com firmeza esse refrão ao conceituar o pecado, este que se desdobra em várias “faces”. O pecado pessoal está enraizado no pecado raiz, ou original, como preferem alguns. Porque mesmo quando ninguém me vê fazer algo eu sou recordado que este ato não condiz. Estranho ou não? E se ninguém pudesse nos ver? Aí sim eu faria... mas sempre tem alguém a me olhar...

                Olhando friamente poderemos concluir que não há saída, pecar é inevitável... pois para ajudar vemos que muitas vezes o pecado abarca uma realidade estrutural, pessoas que parecem não ter opção, o pecado socioestrutural  as obriga a viver numa cultura de morte!

                Parece-me mais correto dizer que pecar é negar-se a participar nos projetos históricos de Deus... é o mesmo que se nós tivéssemos a certeza de que herdamos uma mansão, porém ela está situada no cume de uma montanha, a mansão é nossa, porém para chegar até ela depende de nós. Nós devemos abrir a trilha...

                Uma certeza clara, mas o fato de ser custoso abrir o caminho, nós nos contentamos com uma barraquinha de lona no pé da montanha. Ademais o fato de não avistar ao menos a frente da mansão devido à enorme quantidade de vegetação não nos motiva a continuar a calejar nossas mãos e a tomar posse do que nos pertence! Repito uma das perguntas acima: Onde está a contradição?

                Um exemplo atual de pecado como negação de participação nos projetos de Deus é: acreditar que tudo o que se possui é posse única, isso não propicia a partilha, pelo contrario, aumenta a ganância. Desejoso de possuir tudo esquecemos que, o segredo da felicidade está em partilharmos; se é "nosso", então vamos cuidar, investir e juntos construir sempre mais.

                Pecado e conversão antes de se unir, ou um exigir do outro para existir se contrapõe! Tentando me explicar: diante do Maximo recebido por alguém, fica até “feio” darmos o mínimo não é? Ainda mais quando estamos certos que não merecemos tanto! A misericórdia sempre será o lembrete de que não vale à pena insistir em errar! Acertar vale mais a pena, pois a garantia do máximo nos impulsiona em não ser pequenos, mas a pensar grande e longe!

                Não insista em dormir na sarjeta, se temos a certeza que em algum lugar há uma cama quentinha a nos esperar! Mesmo que implique caminhar um pouco mais, vale à pena! No fim veremos que o difícil é que nos garante a realização!

               

por Wellington Moreira

Nietzsche e a juventude de hoje

“Nietzsche e a juventude de hoje”

                Friedrich Wilhelm Nietzsche fora uma pequena e patética figura pálida com um enorme bigode militar que marcou profundamente o pensamento do século XX e que, ainda hoje, faz-se afirmar sua “autonomia”, alicerçados na polêmica filosofia do megalomaníaco Nietzsche. Aqui faço questão de levantar as seguintes hipóteses: seriam os escritos de Nietzsche alguma espécie de manual de conduta? Por acaso, Nietzsche algum dia escreveu algo pensando em formar grupos, ou mesmo, na sua linguagem, rebanhos? A princípio aos fãs de Nietzsche que costumam associar a sua vida com os seus escritos, considerem a sua afirmação: “Eu sou uma coisa, meus escritos são outra” (NIETZSCHE, 2006, p. 55).

                Na atualidade, muitos dos temas que foram abordados por Nietzsche vêm sendo debatidos, devido à sua vinculação com a Filosofia, a Ciência, as Artes e a Ética. A própria mídia tem divulgado sua filosofia, através de revistas, jornais e livros. Nietzsche tornou-se até personagem de alguns romances, como é o caso do livro que virou filme e peça teatral: Quando Nietzsche chorou de Irvin D. Yalon.

                Um dos fatores que presentifica Nietzsche é a relação de sua filosofia com a vida humana. Ora, a própria Filosofia nasce de uma relação entre o pensamento e a vida dos gregos, basta lembrarmos-nos das discussões na praça pública de Atenas, que é considerada como o berço da Filosofia. Lembrando que a vida é vista pelo filósofo como algo jovial e dinâmico, aliás, esta vida assume um caráter único na filosofia, porque é somente o amor incondicional a ela que eleva os espíritos medíocres a efetivação das forcas nobres presentes na natureza humana. Viver é criar, eis uma grande máxima do filósofo, a arte assume um caráter “divino” em sua filosofia.

                Talvez Nietzsche esteja tão em voga hoje entre a juventude, devido a sua grande batalha contra a moralidade. Os jovens de hoje não querem mais seguir preceitos morais, aliás, a própria palavra “ética” está cada vez mais perdendo seu significado originário. A questão que surge aqui é a seguinte: em nome do que os “valores” devem ser rejeitados? A própria negação dos valores não implica a criação de outros, talvez até mais dogmáticos? Nietzsche não visa derrubar todos os juízos de valores, o que ele questiona são os motivos que nos impelem a moralidade. Bom, quanto a agir ou não moralmente, diz:

[...] é preciso evitar e combater numerosas ações ditas imorais; de igual modo que é preciso cumprir e encorajar numerosas ações ditas morais; penso que é preciso fazer uma e outra coisa por outras razões que não aquelas com que se agiu até agora (NIETZSCHE, 2007, p. 79).

                Enfim, Nietzsche não é sinônimo nem de rebeldia e menos ainda de libertinagem, embora polêmica e crítica de muitos valores religiosos, sua filosofia é totalmente voltada para práticas como a solidão e a genialidade artística. Sendo que o verdadeiro homem, aquele chamado de “super-homem”, no fundo não passa de uma criança, que com sua inocência é capaz de olhar e inventar o mundo circundante, com a capacidade fantástica e criativa que lhe permitem criar a partir de si mesmo. Pois bem, a recomendação que fica é a seguinte: de fato Nietzsche fora um escritor fantástico, que privilegiou o lado dionisíaco da vida, dando ênfase para os instintos humanos, entrementes um jovem hoje pode ser muito mais que um mero discípulo, ou mesmo, simpatizante de Nietzsche. Se viver é criar, crie sua própria vida, lembrando que para isso, não é preciso construir grandes edifícios, comece por edificar o seu próprio coração.



Referências bibliográficas citadas no texto:

NIETZSCHE, Friedrich. Aurora. São Paulo: Escala, 2007.

_________, Friedrich. Ecce Homo. São Paulo: Escala, 2006.

                                              



por Douglas Meneghatti




1 de mar. de 2011

Tributo ao grande professor "Zé Martins"

Professor “Zé Martins”: os mortos em Cristo ressuscitarão!
“O homem, nascido de mulher, vive breve tempo, cheio de inquietação. Nasce como a flor e murcha; foge como a sombra e não permanece...” (Jó 14, 1-2, 14)

A Sagrada Escritura nos diz que não apenas há vida após a morte, mas vida eterna tão gloriosa que “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Cor 2, 9). José Alves Martins, mais conhecido como Professor Zé Martins, cumpriu o seu tempo neste mundo e voltou par a casa do Pai.

Breve histórico da vida do Professor Zé Martins, por Eva (da Comunidade do Santuário Nossa Senhora Aparecida do Vagão Queimado), onde participava atualmente o nosso saudoso professor:

         José Alves Martins nasceu em 12 de novembro de 1937 em São Pedro do Turvo – SP. Com poucos meses de vida mudou-se para Jacarezinho – PR; ingressou muito novo na escola, morando no sítio. Ele caminhava 6 km a pé diariamente para poder estudar. Depois de voltar da escola trabalhava na roça ajudando o pai. Muito dedicado aos estudos, José sempre se sobressaiu entre os alunos da turma.
         Seu hobby na infância era construir carrinhos; ele inventava os modelos para depois descer ladeira abaixo, também gostava de cavalos, pois desde cedo já possuía um.
         Depois que terminou o antigo primário ele vendia leite e ovos na cidade para ajudar nas despesas de casa. Ingressou no antigo ginásio e cursou História na Faculdade de Filosofia de Jacarezinho, onde trabalhou na secretaria como escriturário. Casou-se com Lia em 1961 e teve 4 filhos: Maria Emilia, José Henrique, Marcelo e Luciano. Teve como nora Glauce, Eliana e Eliane. Teve seis netos: Thais, Luiz Felipe, Vitor, Vinícius e Lucas.
         Em janeiro de 2008 ele ficou viúvo e em 24 de julho de 2009, um ano e meio após a morte de Lia, ele casou-se com Vera, e agregou à sua família os vindos do segundo casamento, Leandro, Cibele, Pedro, Beatriz, Paulo, André, Jaqueline, Mateus, Felipe, Manuela, Rodrigo, Janaê, Julia, Luiza, Antonio, Maria Isabel, Ronaldo, Vitória e Taís.
         Esposo dedicado, companheiro, atencioso e sensível, sempre preocupado com o bem estar de sua companheira. Não media esforços trabalhando diurnamente para dar à família, condições necessárias para uma vida tranqüila e feliz. Pai exemplar esteve sempre atento à família orientando, rezando e testemunhando o amor de Deus.
         Para os filhos, tudo que se espera de um pai, ele possuía, amigo, companheiro de todas as horas, passeios e obrigações, sempre com amor e carinho em tudo o que fazia. Disposto para tudo era um bom aliado em todas as situações.
         Formado em História, ministrou aulas no Colégio Técnico Jacinto Ferreira de Sá por mais de 20 anos, professor no Colégio Santo Antônio, nas Faculdades integradas de Ourinhos – FIO, e em diversos cursinhos. Lecionou também no Seminário São José, até dezembro de 2010, sendo esse trabalho voluntário.
         Um relato dos colegas professores é que qualquer atividade que era convidado, ele aceitava de bom coração: enfeitar ruas na Solenidade de Corpus Christi, festas juninas de escolas, enfeitar carros alegóricos, ou seja, sempre companheiro. Cumpriu sua missão como cristão ativo nas comunidades as quais participou, e como educador.
         Em sala de aula era muito capaz, tinha uma didática impar, tinha toda a matéria na cabeça e possuía um domínio de sala como ninguém. Era muito respeitado, com isso, cativava a todos com os quais convivia.
         Dedicou toda a sua vida ao amor de Deus, a vivência da Palavra e à partilha do conhecimento adquirido pela dedicação ao serviço do Reino.
         Atuou muitos anos no Cursilho de Cristandade dando mensagens e formação para os neo-cursilhistas. Teve uma grande atuação nos encontros de casais, de jovens, na catequese e, atualmente, era o Coordenador do CPP (Conselho Pastoral Paroquial) na comunidade Santuário Nossa Senhora Aparecida do Vagão Queimado. Sempre muito ativo nos trabalhos pastorais da Igreja.
         Feliz nos casamentos encontrou nas suas companheiras o apoio ideal para desempenhar as missões que o Senhor lhe confiava. São-paulino roxo gostava de assistir futebol e se divertir com os amigos, com brincadeiras sadias e respeitosas. Seu olhar paterno e seu jeito carinhoso transmitiam ternura, paz e segurança aos que dele se aproximavam.
         Mas chegou a sua hora, Sr. José, Jesus o chamou para tomar parte do lugar que estava reservado desde o início. O tombo! Ah, essa foi à desculpa que Deus Pai se valeu para levá-lo daqui.
         Cumpriu sua missão com amor e dedicação, dignidade e hombridade, deixando muitas saudades entre aqueles que com ele conviveram e puderam desfrutar de sua presença marcante.
         Obrigada Tio Zé pelo exemplo de tudo o que o senhor representou para nós e continue intercedendo para que possamos nos encontrar na eternidade.
         Vá com Deus...
(Texto extraído do Boletim “Fonte de Vida” da Catedral Diocesana de Ourinhos – SP)


Seminarista Agnaldo – Uma vez dei-lhe um livro de Teologia. Ele leu mais que rapidamente e já me trouxe na semana seguinte, achando que eu havia apenas lhe emprestado. Daí disse-lhe: “Professor é seu... é um presente”. Então ele respondeu: “Ah! Se é assim então vou ler novamente com mais calma”. Um gesto bem simples, mas que me deu uma lição: dedicação e honestidade.